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Karina Xavier eleita para a Academia Americana de Microbiologia

Karina Xavier, associada da Sociedade Portuguesa de Microbiologia e líder do grupo de Sinalização Bacteriana do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), junta-se a microbiólogos de excelência selecionados para integrar a Academia Americana de Microbiologia. O grupo honorífico funciona como uma incubadora de ideias da Sociedade Americana para a Microbiologia, uma das maiores sociedades de profissionais das ciências da vida. Composto por mais de 2 600 especialistas em áreas da microbiologia que abrangem a investigação básica e aplicada, o ensino, a saúde pública, a indústria e os serviços governamentais, o grupo tem como objetivo contribuir para a excelência do estudo dos microrganismos e impulsionar esta área científica e o seu impacto.

Todos os anos novos membros são eleitos por pares para se juntarem à academia em reconhecimento do seu contributo e compromisso com a investigação, que, em conjunto, resultam num crescente conhecimento em microbiologia que é usado ao serviço da ciência e da sociedade. Em 2022 os 65 membros eleitos são de dez países: Austrália, Canadá, China, Alemanha, Israel, Japão, Portugal, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

Selecionada entre os 130 candidatos, Karina Xavier é doutorada em bioquímica pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade NOVA de Lisboa. Atualmente, dedica-se ao estudo dos mecanismos subjacentes ao processo de sinalização entre bactérias da microbiota intestinal. O objetivo da sua investigação é compreender como a comunicação através de pequenas moléculas químicas, um processo denominado de quórum sensing, influencia a microbiota, mais especificamente, como molda a identidade e quantidade das espécies intervenientes, e como afeta a fisiologia do hospedeiro. O trabalho mais recente do seu laboratório foi destacado na capa da revista Cell Host & Microbe e revela como as bactérias intestinais se adaptam e afetam a saúde em resposta à dieta. O estudo demonstrou que a dieta não só afeta a composição da microbiota, como também leva a alterações genéticas permanentes nos micróbios do intestino, tendo consequências que podem ser bastante mais permnentes do que se pensava.