Concurso Comunicação de ciência em microbiologia, Dia Internacional do Microrganismo

Divulgação de ciência: “Os fungos aquáticos e as alterações climáticas”

Nota prévia: Faltam 2 meses para o próximo dia internacional do microorganismo. Hoje recordamos uma das menções honrosas do primeiro concurso de comunicação em microbiologia.

 

Por Diana Graça, Isabel Fernandes, Cláudia Pascoal e Fernanda Cássio: Os fungos aquáticos têm um papel chave no processo de decomposição da matéria orgânica nos ribeiros. Dada a sua importância é fundamental perceber o impacto das alterações climáticas na sua diversidade e atividade, e se uma menor diversidade de fungos é capaz de assegurar o funcionamento dos ecossistemas ribeirinhos.

 

Legenda: “Os pequenos rios estão geralmente rodeados por vegetação ribeirinha que impede a luz solar de atingir a água, dificultando o desenvolvimento das algas e reduzindo a atividade fotossintética . Nestes rios, as folhas que caem da vegetação ribeirinha fornecem os nutrientes e a energia que suporta a cadeia alimentar aquática. Estas folhas são rapidamente colonizadas por fungos aquáticos, conhecidos por hifomicetos aquáticos. Estes fungos produzem esporos assexuados com formas sigmoides e multirradiadas que se dispersam na água. Ao crescerem nas folhas, os fungos produzem enzimas, que quebram os compostos da parede celular vegetal, e aumentam o valor nutritivo das folhas que servem de alimento a invertebrados detritívoros; os quais, por sua vez, alimentam outros organismos da cadeia alimentar. A diversidade de fungos tem um efeito positivo na decomposição da folhada que entra nos rios. Isto acontece devido a interações de complementariedade e à maior probabilidade de comunidades mais diversas conterem espécies muito produtivas.
As alterações climáticas são uma ameaça para a biodiversidade e, consequentemente, para os ecossistemas. Prevê-se que as alterações climáticas se manifestem por um aumento da temperatura até 4ºC, um aumento da concentração de nutrientes nos rios, que pode chegar ao dobro da concentração atual, e um aumento dos períodos de seca, passando rios permanentes a ter um regime intermitente e rios intermitentes a secar completamente. Se a biodiversidade está associada ao bom funcionamento dos ecossistemas, é crucial perceber se menos espécies são capazes de manter os ecossistemas funcionais. Dado o papel chave dos fungos aquáticos no processo de decomposição da matéria orgânica nos rios, é fundamental perceber o impacto das alterações climáticas na sua diversidade e atividade, e se uma menor diversidade de fungos é capaz de manter o processo de decomposição e assegurar a reciclagem dos nutrientes e da matéria orgânica nos ecossistemas ribeirinhos.”

 

Menção Honrosa (categoria Público em Geral) da 1º Edição do Concurso “Comunicação de ciência em microbiologia.

Autor: Diana Graça, Isabel Fernandes, Cláudia Pascoal e Fernanda Cássio (CBMA – Universidade do Minho).