Estudo descreve novas mutações na resistência a fármacos para tratamento da tuberculose multirresistente

Os novos dados vão contribuir para o diagnóstico precoce da tuberculose resistente

Lisboa, 23 de janeiro de 2018 – O maior e mais completo estudo sobre a base genética da resistência do Mycobacterium tuberculosis, o agente etiológico da tuberculose, foi agora publicado na conceituada revista científica Nature Genetics e descreve novas mutações associadas à resistência à cicloserina, etionamida e ácido para-amino salicílico, importantes fármacos de segunda-linha recorrentemente utilizados no tratamento da tuberculose multirresistente.

No artigo “Genome-wide analysis of multi- and extensively drug-resistant Mycobacterium tuberculosis” são identificadas novas interações entre genes associados à resistência que poderão contribuir para níveis de resistência aumentados e realçado o papel das bombas de efluxo (proteínas localizadas na membrana celular e especializadas no transporte de moléculas) no desenvolvimento da resistência nesta espécie bacteriana.

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Os novos dados, além de resultarem num conhecimento mais abrangente e profundo acerca dos mecanismos de resistência por parte do M. tuberculosis, vão possibilitar a inclusão de marcadores específicos para a resistência em novos testes de diagnóstico molecular, com vista a um aumento da sua sensibilidade e especificidade e, sobretudo, permitir o diagnóstico precoce da tuberculose resistente, o que vai possibilitar ajustes na terapêutica de modo a ser mais eficaz contra os bacilos resistentes, aumentando a taxa de cura dos doentes com tuberculose multirresistente ou extensivamente resistente e evitando a sua transmissão e propagação como tem acontecido até à data. Os resultados assim obtidos, assumem especial relevância no contexto atual da iniciativa da OMS – End TB Strategy, com vista à eliminação da TB em 2035, apoiada, entre outros pilares, na intensificação da investigação e inovação.

Este estudo, que expande consideravelmente o conhecimento atual acerca dos determinantes genéticos da resistência no M. tuberculosis, foi liderado pela London School of Hygiene and Tropical Medicine e resulta da análise por sequenciação genómica completa de 6 465 isolados clínicos, provenientes de mais de 35 países, incluindo Portugal. A nível nacional, a investigação foi coordenada por Isabel Portugal e João Perdigão, professores no iMed.ULisboa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e por Miguel Viveiros, professor no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, instituições que desempenharam um papel central no diagnóstico molecular precoce da tuberculose resistente na Grande Lisboa entre 2000 e 2012, com colaboração do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e do Instituto Gulbenkian de Ciência.

De acordo com as mais recentes estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) a Tuberculose (TB) é atualmente a nona causa de morte a nível mundial. Tendo, em 2016, sido responsável por aproximadamente 1.3 milhões de mortes em indivíduos HIV-negativos e 374 000 mortes entre indivíduos co-infectados pelo HIV, os inúmeros esforços desenvolvidos com vista à diminuição da incidência e controlo permanecem ameaçados pelas formas resistentes do M. tuberculosis.

MAIS INFORMAÇÕES: Sílvia Diegues – Gabinete de Comunicação e Marketing do IHMT | Tel.: 21 365 26 74 | Tlm: 963415986| silvia.diegues@ihmt.unl.pt

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