Sociedade Portuguesa de Microbiologia

Portuguese Society of Microbiology

À conversa com Isabel Sá Correia

Esta era uma das entrevistas que se impunha: à actual Presidente da Sociedade Portuguesa de Microbiologia (SPM), a Prof. Isabel Sá Correia. Queríamos perceber o que levou, há quarenta anos, uma Engenheira Química a enveredar pelos meandros da Microbiologia e da Biologia Molecular, áreas que abraçou com um entusiasmo contagiante.

Foi no seu gabinete no Instituto Superior Técnico (IST) que, com o dinamismo e a energia tão característicos, nos falou do seu percurso e de como vê hoje a Microbiologia e a SPM.

Lisboa, 17 de Junho de 2014

Raquel Sá-Leão e Célia Manaia

Como é que chegou à Microbiologia?

Cheguei muito em resultado das circunstâncias…

Quando estava a concluir a licenciatura em Engenharia Química no Instituto Superior Técnico (IST), tive a oportunidade de frequentar uma disciplina de opção numa área nova, a “Engenharia Bioquímica”, que tinha sido introduzida no IST (e no País) pelo Prof. Júlio Maggiolly Novais, recém-chegado de Inglaterra onde tinha concluído um doutoramento na área. Nessa altura, em 1974, essa era a única disciplina do IST que tratava, de forma integrada, as ciências e tecnologias biológicas e suas aplicações. Desde logo ficou para mim claro que esses conhecimentos e abordagens permitiam oferecer aos engenheiros químicos uma formação mais versátil e saídas profissionais mais variadas e que era enorme o potencial da interação sinérgica entre as ciências biológicas e as ciências da engenharia. Na altura eu era monitora no Departamento de Engª Química e, concluída a Licenciatura, tornei-me na primeira assistente estagiária do grupo do Prof. Novais nessa área tendo iniciado os primeiros trabalhos de investigação em enzimas imobilizadas. Em breve o Prof. Novais iria usufruir de uma licença sabática, e fiquei com a responsabilidade de lecionar a disciplina cuja primeira parte se dedicava às Ciências Biológicas (Bioquímica, Biologia Molecular e Celular e Microbiologia). Aí, percebi que tinha que ir aprofundar os meus parcos conhecimentos nesse domínio. Acontece que, quando ainda não existia sequer legislação que sustentasse a existência de cursos de Mestrado, o Prof. Nicolau van Uden, então Diretor dos Estudos Avançados de Oeiras, Diretor do Laboratório de Microbiologia do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e Professor na Universidade Nova de Lisboa, lançou o que se esperava que viesse a ser o primeiro Mestrado em Engª Biológica (especialidade em Biologia Molecular). Este era sustentado, do ponto de vista laboratorial e de recursos humanos, pelos Estudos Avançados de Oeiras, e garantia a sua interdisciplinaridade através de colaborações com outros grupos importantes em desenvolvimento na Universidade Portuguesa na área de Lisboa. Tal envolvia uma comissão científica constituída também pelo Engº Bioquímico Júlio Magiolly Novais e o Bioquímico António Xavier. Era o grupo dos “três magníficos” que, em Lisboa, iriam exercer uma influência notável no sistema científico e de ensino universitário nestas áreas. Fui pois frequentar a parte escolar do que viria a ser um mestrado nessa área interdisciplinar, com enfoque na componente biológica e molecular. Depois, continuei diretamente para doutoramento na área de Biologia de Leveduras no IGC, orientado pelo Prof. Van Uden. E foi assim que cheguei à Microbiologia.

O encontro com a microbiologia foi mais numa vertente de engenharia ou de biologia?

Essencialmente na componente biológica que era, aliás, aquela em que eu necessitava de formação avançada e em que considerava poder vir a ser mais útil para a área de Engª Biológica do IST. Os meus trabalhos de investigação dedicaram-se então sobretudo a estudos de fisiologia de leveduras em resposta a stresse por etanol em conjunto com a temperatura, tendo envolvido sistemas de transporte transmembranar. É curioso porque esses trabalhos e temáticas ainda hoje continuam muito atuais, pela sua importância na produção de bio-etanol e bebidas fermentadas. Aliás, embora utilizando abordagens pós-genómicas, estes tópicos são ainda hoje estudados no meu grupo inseridos num programa sobre resposta, à escala do genoma, a vários fatores de stresse. Estes envolvem o estudo da regulação da expressão genómica sob stresse e a identificação de genes/proteínas envolvidas na resistência ao stresse, emSaccharomyces cerevisiae, encarada não só como uma levedura de elevado interesse biotecnológico mas também como um modelo experimental eucariótico unicelular por excelência. Também estudamos o transporte transmembrar, não só o relacionado com o transporte de nutrientes mas principalmente as proteínas envolvidas na resistência a múltiplos stresses químicos (multidrug/multixenobiotic resistance, MDR/MXR), supostamente por expulsarem, ativamente, compostos xenobióticos citóxicos. Percebemos hoje que o modelo de “ bombagem” de diversos compostos citotóxicos é muito simplista, tendo esses transportadores uma função fisiológica, em muitos casos, ainda por caracterizar mas que, indiretamente, acaba por conferir MDR/MXR.

Fez todo o seu percurso profissional em Portugal?

Não. O período mais longo durante o qual trabalhei fora do País foi logo a seguir ao doutoramento. Estive um ano na Universidade de Illinois em Chicago, no Medical Center em Chicago, e foi aí que comecei a trabalhar com bactérias Gram-negativas do género Pseudomonas, concretamente com P. aeruginosa. Integrei-me no grupo do Prof. A. M. Chakrabarty, muito conhecido na engenharia genética de bactérias com vista à degradação de poluentes orgânicos. Nessa altura, o Prof. Chakrabarty estava a fortalecer uma linha de investigação dedicada à biossíntese de alginato em P. aeruginosa, como factor de patogenicidade, nessa bactéria patogénica oportunista em infeções respiratórias em doentes com fibrose quística. Foi assim que pela primeira vez usei em rotina técnicas de biologia molecular e engenharia genética em bactérias Gram-negativas, me interessei pela microbiologia do pulmão de doentes com fibrose quística, e pelo complexo processo de biossíntese de exopolissacáridos bacterianos. De volta a Portugal arranquei com um programa de investigação com vista à engenharia de biopolímeros bacterianos de interesse industrial, que durou vários anos e no âmbito do qual se formaram vários estudantes de doutoramento, hoje investigadores independentes que, de uma forma ou de outra, continuaram nessa área. Arranquei ainda uma análise epidemiológica de infeções respiratórias por bactérias do complexo Burkholderia cepacia (antes designadas Pseudomonas cepacia) em doentes com fibrose quística em colaboração com médicos e bacteriologistas do Hospital de Sta. Maria. Esse primeiro estudo epidemiológico realizado em Portugal estendeu-se de forma sistemática e continuada ao longo de vinte anos, e ainda hoje continua. Com base na coleção de isolados obtidos e molecularmente caracterizados, é-nos hoje possível penetrar nos mecanismos envolvidos na adaptação evolutiva dessas bactérias durante infeções crónica de longo termo que ocorrem no ambiente agressivo do pulmão do doente com fibrose quística. Esses estudos, que têm usufruído de um material microbiológico de eleição, exploram as novas abordagens experimentais e as estratégias de genómica funcional e comparativa.

Acha que a Microbiologia mudou muito nos últimos trinta ou quarenta anos?

Sim, mudou muito. Mas eu até diria mais nos últimos dez, vinte anos… As abordagens pós-genómicas vieram revolucionar profundamente a forma como se investiga, se obtém conhecimento e se desenvolvem as aplicações em microbiologia. É a visão à escala do genoma, tentando captar toda a complexidade celular de um modo integrado, a visão da biologia de sistemas. Para além do desenvolvimento das técnicas que permitem captar e quantificar a expressão genómica, também a metagenómica,veio influenciar o modo como vemos e estudamos o mundo microbiano que assim deixou de depender do cultivo dos micróbios em laboratório, permitindo a identificação de comunidades microbianas presentes nos seus ambientes naturais. Também a Biologia Sintética, até hoje basicamente praticada em microrganismos, oferece, ou promete, a construção e o redesenho dos sistemas biológicos de modo a que passem a apresentar funções inexistentes na natureza. Em todas estas novas áreas têm participado, e contribuído decisivamente, cientistas com formações fora das ciências biológicas tradicionais (ciências da computação, matemática, física, várias engenharias, etc.), tendo o trabalho conjunto, transdisciplinar, exigido também uma nova aprendizagem e a criação de uma nova cultura de trabalho em microbiologia.

ISC3

O que diria da Microbiologia que se faz actualmente em Portugal?

Há hoje muitos investigadores a trabalhar em Microbiologia em Portugal, inclusive na microbiologia moderna e altamente competitiva, e há, no País, vários grupos muito bons, com muito impacto e excelentes colaborações a nível internacional. A situação da Microbiologia não é única em Portugal já que em quase todas as áreas se nota um impressionante desenvolvimento da atividade científica realizada em Portugal nos últimos anos, ainda que a presente situação não favoreça a sua sustentabilidade. Sendo a Microbiologia uma ciência que é presentemente fortemente interdisciplinar, é inevitável que a Microbiologia que se faz atualmente em Portugal tenha vindo a usufruir e a ser alavancada por todo o desenvolvimento verificado em muitas outras áreas científicas relevantes.

O que é que acha seria uma descoberta surpreendente no campo da Microbiologia?

Já poucas coisas me surpreendem… (risos).

É difícil identificar e evidenciar uma qualquer descoberta, mas sem dúvida que é de esperar que das novas abordagens e estratégias, e da investigação interdisciplinar venham a surgir grandes surpresas, algumas verdadeiramente marcantes, tal como se tem verificado até hoje.

Hoje há duas palavras que estão na ordem do dia: inovação e empreendedorismo. Como se cruzam com a Microbiologia?

Cruzam-se muito bem. A inovação pode estar em tudo o que se faz. Em alguns casos essa inovação pode gerar valor e há múltiplos exemplos de sucesso em que o desenvolvimento de conhecimento em Microbiologia esteve na base de projectos de empreendedorismo.

Como vê o futuro da investigação científica em Portugal?

Com muita preocupação e, de arrasto, também a situação do ensino superior em que os contínuos cortes num sistema que há muito vem fazendo um esforço notável de redução de custos e aumento de eficiência, não deixa espaço para mais cortes mantendo a qualidade. A continuar, repetir-se-á a história do cavalo do inglês: assim que se habituou a não comer, morreu! É um exercício perigoso! E quando o rejuvenescimento das universidades é limitado, a aquisição de equipamento moderno e a possibilidade de atrair alunos para a investigação e a sua realização continua tão dependente da política de financiamento do sistema científico nacional (e falar de projetos europeus e de financiamento pela indústria, para garantir o funcionamento do sistema global é uma grande falácia), a situação só pode ser preocupante. Já há vários sinais de que o cavalo do inglês se encontra em perda.

Qual é, na sua perspectiva, o papel de uma Sociedade como aquela a que preside?

Nesta fase, penso que é fazer aquilo que se tem feito.

Favorecer a internacionalização da SPM, principalmente pela adesão a federações em que possa haver retorno relativamente às verbas investidas, como por exemplo no caso da FEMS (Federation of the European Microbiology Societies). A SPM, através da FEMS, tem promovido o apoio financeiro das atividades de vários membros da SPM, na organização de encontros científicos internacionais, na participação em congressos, no desenvolvimento de investigação em laboratórios estrangeiros durante alguns meses. Na presente conjuntura, tal tem-se revelado essencial. Somos também, tal como a Sociedade Espanhola de Microbiologia com a qual mantemos uma relação institucional muito próxima, membros da ALAM (Asociación Latinoamericana de Microbiología) e temos, dentro do possível, apoiado a participação da SPM e de investigadores portugueses nos congressos da ALAM e nas suas atividades.

Nesta fase, já de alguma afirmação da SPM, é importante que as pessoas que trabalham para a sociedade sejam reconhecidas e identificadas e que não seja só a Presidente, o Secretário-Geral ou a Direcção. E tal começa a ser simples pois há já um grupo significativo de membros que se dedicam e muito se empenham no desenvolvimento da SPM. É aliás a única maneira de uma sociedade pequena poder ter uma actividade visível, para além do Congresso Nacional, e compatível com as expectativas dos seus membros. Entre as atividades recentes notórias da SPM gostaria de realçar o Magazine de Microbiologia, uma revista de divulgação científica, disponível livremente na internet (http://www.magazinespm.pt/). Aproveito para reconhecer pubicamente todo o esforço e a qualidade do trabalho desenvolvido pela direção e comissão editorial do Magazine, muito em particular das minhas duas entrevistadoras e no caso da Célia Manaia, também o seu papel na direção do Magazine. Uma palavra também para a comunidade de microbiólogos que tem contribuído com artigos ou disponibilizando-se para serem entrevistados ou para várias outras atividades relacionadas com o Magazine, assim contribuindo para o seu sucesso.

Infelizmente os grupos de trabalho ainda não têm aquela dinâmica que permitiria vir a atrair novos sócios e assim continuar crescimento da SPM. É preciso que tal aconteça e continuo empenhada em concretizar esse objetivo, tendo como referência o que se passa com a prestigiada ASM (American Society of Microbiology) nos EUA, da qual a maioria dos microbiólogos americanos são sócios.

Ainda que a SPM tenha tentado ser abrangente nas suas atividades e tenha conseguido captar novos sócios, não os tem captado em todos os locais e nem todos os profissionais com actividade na área da microbiologia se encontram representados. Os membros continuam a ser investigadores e professores da área da microbiologia nas Universidades, Politécnicos e Centros de Investigação. Neste aspecto há factores a ter em conta, por exemplo, para além da existência de outras sociedades científicas, da Ordem dos Biólogos, etc., que acabam por abranger diversos grupos profissionais. Nas Escolas Secundárias a Microbiologia não se encontra significativamente representada, e o próprio Magazine da SPM não se tem orientado muito para esses públicos. E talvez também ainda não tenhamos connosco membros e parceiros que dinamizem as actividades dirigidas a outros públicos…

A SPM também pode procurar atrair jovens e cativá-los para a Microbiologia…

Ao nível do ensino de 1º, 2º e 3º ciclos, nas Instituições onde há atividade de formação em Microbiologia, os jovens são atraídos pela área mas só uma minoria é membro da SPM, também porque nunca foi feito esse esforço. Mas vejo mais a SPM a promover outras actividades, como a edição do Magazine, que chega a todos… e porventura nos congressos nacionais poder-se-ão criar sessões que possam atrair outros públicos. No entanto, tal passará pela existência de membros, dentro da SPM, que tenham interesse em promover essas outras actividades de modo a conseguirmos envolver todos os públicos que poderiam dar e receber algo da SPM.

Não haverá excesso de sociedades? Biotecnologia, Bioquímica, Genética, Microbiologia Clínica…

Sim. E a tendência é para ainda aparecerem mais. Neste momento há uma especialização crescente e é claro que cada sociedade tem as suas especificidades. Contudo, a verdade é que, sendo a comunidade científica nacional em todas essas áreas muito pequena, muitos se identificam (e são até sócios) de várias sociedades. Por essa razão, por exemplo, a SPM tem, com sucesso, organizado o seu encontro nacional em conjunto com a SPBT (Sociedade Portuguesa de Biotecnologia): o MicroBiotec. A verdade é que a SPM necessita de existir como sociedade independente para, por exemplo, poder aderir e fazer a ligação da comunidade nacional à FEMS.

Como gere o seu tempo, com tantas responsabilidades que acumula?

O segredo é considerar que nada é o mais importante. Tudo tem importância ainda que, conforme a ocasião, existam prioridades. Tudo tem que ser feito e bem. E há que criar equipas e pô-las a funcionar. Por exemplo, neste momento muitas das atividades essenciais da SPM não dependem de mim. Também não tenho a preocupação de gerir as prioridades em função da minha carreira ou em função de necessidades de afirmação pessoal. Não sinto necessidade de me concentrar naquilo que dá resultados em termos pessoais. E portanto torna-se mais simples e pacífico (risos).

Mas tem tidos resultados, isso é óbvio…

Pelo menos julgo que tenho o nome limpo na maior parte das atividades em que me envolvi…

Então aceita as coisas que lhe dão gosto?

Não, também não é esse necessariamente o critério. Se há uma atividade em que entendo que é importante estar envolvida, aceito.

Poderia ter dirigido a minha carreira de uma maneira mais estratégica, mas nunca tive essa preocupação. E então, nesta fase da minha vida, não tenho mesmo esse tipo de preocupação. Do ponto de vista da carreira pessoal acho que cometi alguns erros, mas nunca fiquei incomodada com os passos que dei.

Do que é que mais se orgulha?

Dos jovens que formei ou que de algum modo influenciei, talvez. E do facto de ter conseguido desenvolver a área de Ciências Biológicas, numa Escola que era no essencial uma escola de Engenharia.

Alguma vez sentiu que por ser mulher a tratavam de forma diferente?

Considerando que concluí o doutoramento há 30 anos (!), certamente que o facto de ser mulher não facilitou em nada a minha atividade profissional, ainda que na Universidade e aqui (no Técnico) tal não se sentisse de um modo muito óbvio. É muito mais difícil uma mulher, por um lado, chegar a determinadas posições, e por outro, mantê-las. Sobretudo se forem posições que interessam aos homens. Se não interessarem, as mulheres podem ficar lá toda a sua vida a fazer o trabalho (risos)… A verdade é que Portugal até talvez tenha em posição de liderança na academia um número mais interessante de mulheres do que outros países.

Quando há posições boas e interessantes, os homens não desistem delas. Portanto, lutam por elas. Aliás como algumas mulheres o fazem e acabam por ser bem-sucedidas. No entanto, no geral, os homens gerem melhor as suas carreiras embora esse paradigma esteja a mudar. A nova geração de mulheres é muito aguerrida, muito bem preparada, não abre mão facilmente dos seus objectivos, e está disponível para aceitar desafios importantes. E isso a todos os níveis e em todas as áreas, embora ao nível de profissões menos diferenciadas a situação continue desigual, mesmo ao nível dos salários.

Mas por falar em estigmas… houve outro que senti mais do que por ser mulher. O facto de ser Licenciada em Engenharia e de trabalhar numa Escola de Engenharia, foi muitas vezes fator de uma menor credibilização da minha atividade na área das Ciências Biológicas.

ISC3

Qual é a sua maior qualidade?

Risos… Não há assim nada de espectacular. Acho que não tenho qualidades que se realcem, assim como acho que não tenho defeitos que se destaquem particularmente. Tenho defeitos e qualidades como todos, mas nada que eu ache digno de relevo.

O que se arrepende de não ter feito?

Depende das horas (risos…). Mas não sou muito de ficar a chorar pelo leite derramado.

Hobbies?

Sou pouco de hobbies até porque tenho os 7 dias da semana preenchidos mas gosto muito de cozinhar.

Neste momento tenho um hobbie que é tratar dos meus netinhos (nota do Magazine: “os tesourinhos da avó”) que são muito mais que um hobbie…

Mas a verdade é que tenho muitos outros hobbies. Por exemplo, ser Presidente da SPM faz parte dos meus hobbies. Dirigir o Boletim de Biotecnologia, era um hobbie. Sempre encarei as atividades que vão para além das minhas funções específicas e contratuais, como um hobbie.

O que gostava ainda de fazer?

Gostava de deixar as coisas encarreiradas para os meus descendentes aqui no IST, o que continua a não ser tarefa fácil, também na SPM, e outras coisas… Neste momento quero levar a bom porto tudo o que tenho em mãos. Vamos lá a ver o que consigo fazer até à reforma.

Como gostava de ser lembrada aqui no Instituto Superior Técnico?

Não estou convencida de que se vão lembrar de mim, nem essa preocupação me tira o sono…

Mas criou uma Escola…

Sim, mas está a falar de uma Instituição que tem muitas pessoas e muitas áreas com mais peso, até pela dimensão. E são felizmente muitos os professores do IST que se destacam, de forma elevada, nas suas áreas de atividade.

Mas certamente que espero que não venha a ser esquecido o contributo que todo o grupo de Ciências Biológicas tem dado para a afirmação da Escola no ensino de todos os ciclos de estudo que exigem a componente biológica e que, no IST, não têm sido leccionados por engenheiros mas sim por um grupo cientificamente preparado para ensinar nesse domínio.

Que conselho daria aos jovens que queiram fazer investigação?

Que não desistam. Têm que trabalhar muito e com seriedade, têm que aprender com os melhores e têm que ter aspiração. Mas nesta fase, na presente conjuntura, é difícil dar conselhos… Têm que ser exigentes nas escolhas que fazem e assumir essas escolhas. É importante que sejam intelectualmente honestos. Não sei dar outros conselhos. Em ambientes cientificamente maduros onde há liderança e onde há referências de qualidade e marcantes, há exemplos a seguir, o que facilita uma continuidade de excelência e isso acontece em qualquer área. E é importante que sintam que estão a seguir o seu caminho e que não desistam perante as dificuldades que certamente irão encontrar.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Information

This entry was posted on 30/08/2014 by in Magazine SPM and tagged .

Navegação

Clique aqui para acesso directo a todos os conteúdos de:

Adicione aqui o seu email para receber as notícias da SPM.

Com o apoio de:

%d bloggers like this: